Abarca

Pensamento & Vida

 

Toda terça-feira, o jornal Tribuna do Cricaré pública a coluna "Pensamento & Vida", sob a responsabilidade do Instituto Pensamento. Nela os colaboradores do Instituto discorrem sobre diversos temas para ajudar a população na busca de qualidade de vida.

 

29/04/2008 - CASO ISABELLA - UM ALERTA AOS PAIS Gerson Abarca

15/04/2008 - SONHOS E INCONSCIENTE Gerson Abarca

08/04/2008 - VOAÇÃO PADRE Gerson Abarca

01/04/2008 - OS PAIS DIANTE DO ESPELHO Fabiana Moulin

25/03/2008 - DÚVIDAS SOBRE ADOÇÃO Gerson Abarca

18/03/2008 - CÉLULAS TRONCO, CIÊNCIA E RELIGIÃO  Gerson Abarca

11/03/2008 - TRAÇOS FEMININOS NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER Maria Celina Toledo Martins

04/03/2008 - ASCENSÃO DA MULHER Gerson Abarca

26/02/2008 - AS MÚLTIPLAS COMPETÊNCIAS DAS MULHERES E QUALIDADE DE VIDA Maria Celina Toledo Martins

19/02/2008 - CUMPLICIDADE DE MULHER Aline Zampirolli

05/02/2008 - FESTA DE VERÃO Fabiana Moulin

29/01/2008 - SEU FILHO NÃO GOSTA DE LER? Gerson Abarca

22/01/2008 - A DEMOCRACIA É PRAIANA Gerson Abarca

15/01/2008 - SENTIMENTO DE CULPA E A DEPRESSÃO Gerson Abarca

08/01/2008 - A TRISTEZA FICOU (DEPRESSÃO) Gerson Abarca

01/01/2008 - 2008, ANO DO PLANETA E DEFESA DA VIDA Gerson Abarca

24/12/2007 - O MENINO DEUS DENTRO DE NÓS Gerson Abarca

18/12/2007 - DILEMAS DO NAMORO NA ADOLESCÊNCIA Gerson Abarca

11/12/2007 - MISÉRIA E DEMOCRACIA AMEAÇADA Gerson Abarca

04/12/2007 - ADOLESCÊNCIA E A DINÂMICA DO ELÁSTICO Gerson Abarca

27/11/2007 - DEMOCRATIZAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E A PSICOLOGIA Gerson Abarca

13/11/2007 - LINHA DE RISCO Gerson Abarca

06/11/2007 - INCLUSÃO EDUCACIONAL, MUITO DISCURSO E POUCA PRÁTICA Gerson Abarca

30/10/2007 - MENOPAUSA: UM OLHAR PARA O FUTURO Maria Celina Toledo Martins

23/10/2007 - TIA OU PROFESSORA Gerson Abarca

16/10/2007 - ERA UMA VEZ ROSINHA Gerson Abarca

09/10/2007 - O DIFÍCIL PROCESSO DE ANÁLISE COM ADOLESCENTES Gerson Abarca

02/10/2007 - SEFAZ-ES PROMOVE QUALIDADE DE VIDA Gerson Abarca

25/09/2007 - O ORGASMO CONJUGAL ESTÁ EM BAIXA Gerson Abarca

18/09/2007 - INFORMÁTICA E SAÚDE OCUPACIONAL Maria Celina T. Martins

11/09/2007 - RASTREANDO ALCOÓLATRAS Gerson Abarca

04/09/2007 - VICIADOS EM COMPUTAÇÃO E INTERNET Gerson Abarca

28/08/2007 - A PROFISSÃO DO OLHAR DIFERENCIADO Gerson Abarca

21/08/2007 - NA PRAIA DE GURIRI MEU PENSAMENTO VOA... Gerson Abarca

14/08/2007 - A ESCOLA LUMIAR Gerson Abarca

07/08/2007 - PRESSENTIMENTO DE DRUMMOND Gerson Abarca

31/07/2007 - NO CLIMA DO PAN ... EM FAMÍLIA! Maria Celina T. Martins

24/07/2007 - CARINHO - CARICIAS - COMPROMISSO Gerson Abrarca

17/07/2007 - COOPERAÇÃO NA ROTINA FAMILIAR Maria Celina T. Martins

10/07/2007 - CULTIVANDO "PATRICINHAS" Gerson Abarca

03/07/2007 - CULTIVANDO PLAYBOY, COLHENDO FRACASSO Gerson Abarca

26/06/2007 - BOM DIA, MUNDO BOM Davi Taynã Martins Abarca Silva 

19/06/2007 - O COMODISMO DE CADA DIA  Maria Celina Toledo Martins 

12/06/2007 - EXPLOSÃO DO AMOR Gerson Abarca 

05/06/2007 - PRAÇAS E CIDADANIAS Gerson Abarca 

27/03/2007 - SE EU SOUBESSE Maria Celina Toledo Martins 

20/03/2007 - SENTIMENTO AMAZÔNICO Gerson Abarca

13/03/2007 - O PLANETA TERRA Antônio Vidal Nunes

06/03/2007 - PENA DE VIDA Maria Celina Toledo Martins

27/02/2007 "ON-LINE BOY" Gerson Abarca

13/02/2007 - UM ESPAÇO PARA O PENSAMENTO Gerson Abarca

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

29/04/2008 - Caso Isabella – Um Alerta aos Pais Gerson Abarca

           

Os telejornais estão inundando os telespectadores por causa do acontecimento chocante da menina que foi jogada pela janela de um quarto de apartamento. Notícias ruins é prato cheio para uma mídia comercial que sobrevive da publicidade sem critérios éticos. Uma publicidade que atinge principalmente pessoas abaladas no emocional. Assim, coisa chocante desestrutura e faz comprar. O ciclo do consumo segue em frente: T.V. - programação emotiva - publicidade - neuroses - consumo - T.V... E olha eu aqui falando de T.V. novamente… Isto é tão poderoso, que os Senadores estão prestes a aprovar a mudança do fuso horário no Brasil, por causa da classificação indicativa, onde as emissoras de T.V. precisarão adequar a grade de programação nos horários conforme o público que poderá estar assistindo. O jogo de interesse sobre a programação televisiva faz com que o Congresso Nacional fique querendo interferir até no fuso horário. São os pais que ainda não perceberam nas mãos de quem estão entregando o pensar dos filhos, quando os deixam sem limites em T.V. e internet.

Mesmo este episódio  da menina Isabella, ser mais um instrumento do jogo de consumo, poderemos tirar dele alguma coisa, tentei achar algo e hoje pude associar a questão com uma cena na rua perto de minha residência e que fez-me pensar em como nossas crianças são diariamente detonadas pela violência dos pais. Parece que a notícia da morte de Isabella, faz-nos enxergar inconscientemente nossos delitos educacionais para com nossos filhos. Incluo-me nisto também, porque tenho três filhos, e já me peguei transferindo para eles coisas mal resolvidas de mim mesmo. Isto tem sua normalidade, mas se não estivermos atentos, vigilantes, e protegidos de influências negativas da mídia sem ética, cometeremos delitos diante de nossos filhos sem percebermos de imediato, quem sabe só depois, quando observar um roxo nas pernas do filho, um vergão preponderante no braço da menina, e quem sabe o velório do próprio filho. Mesmo que seja por acidente de carro pela autorização ao filho em dirigir sem carteira de motorista e embriagado. Não tenho dúvidas que muitos pais já desejaram jogar filhos da janela. Mas qual foi a cena?

CENA - Um menino de aproximadamente 10 anos, ao estar chegando em sua casa, todo triste porque assistia ao jogo do Flamengo contra o Botafogo pelo campeonato carioca, e teve que amargar a derrota do flamengo, depara-se com seu pai que estava muito bravo porque o menino não havia avisado onde estava. -”Sua mãe está desesperada em casa por não saber onde você estava”, fala em voz muito alta o pai. O menino rebate dizendo: - “Mas eu avisei a mamãe sim”. O pai como se estivesse diante de um adulto, gritava falando que era pura mentira e onde ele tinha aprendido a mentir. O menino era a cada momento ameaçado pelo pai que insistia que ao chegarem em casa ele iria apanhar muito. Logo em seguida passa um grupo de meninos amigos do garoto, o pai se aproveita da situação e começa a bater na cabeça do menino dizendo: “Já vou começar a bater desde já para que seus amigos vejam e você pague mico depois”. E o menino chorava. Naquele momento, tive a sensação de impotência, fiquei pensando que o menino poderia ter este comportamento de mentir, e ali o pai estava na gota d’água. Que aquele pai conhecia os motivos de estar expondo o filho àquela situação constrangedora, e ao mesmo tempo lembrava que em algumas ocasiões já fiquei bravo com filhos meu em ambiente público. Mas a cena se intensificava, e minhas considerações iniciais foram tomando proporção de angústia. Aquele pai estava de forma covarde, confrontando-se com uma pessoa que não tinha poder e força para se defender. Fiquei quietinho, entrei em casa e estou escrevendo este artigo. Só fiquei imaginando a tortura que esta criança iria passar com os pais logo mais.

A verdade é cruel, a grande maioria dos pais estão agredindo seus filhos. A maior violência da sociedade está em segredo no interior das famílias. Nossa violência  pública é resultado.

Quando uma mãe que ascendeu profissionalmente, tem que ficar o final de semana cuidando de filhos, e não vê a hora de chagar a segunda feira para encontrar-se com seu sucesso profissional, pois a convivência com os filhos a deixa angustiada e com a sensação de invalidez, ela está agredindo crianças direta e indiretamente.

Quando um pai ao terminar seu serviço na empresa, faz de tudo para inventar o que fazer mais ainda, com a sensação de que se chegar em casa muito cedo poderá ter que brincar com seus filhos, ele está também agredindo crianças.

Quando gerentes de RHs de empresas, acumulam serviços e mais serviços a executivos e lideranças da empresa, e até inventam viagens e mais viagens para estes executivos, estão colaborando para que muitos pais se distanciem de seus filhos. Empresas deste tipo é uma empresa que promove violência doméstica sim, pois escraviza seus funcionários.

Pais que contratam babás para freqüentemente passarem noitadas festivas aos finais de semana, e no domingo estão exaustos e se quer conseguem ter tempo para os filhos, estão sem dúvida alguma criando ambiente de violência doméstica.

Deixar uma criança e um adolescente passar todo o final de semana preso em um computador, ou T.V., sem se quer conseguir ver o céu, estão expondo aos filhos à trama emocional da mídia de consumo, e consequentemente são promotores de violência doméstica.

Ambientes de descaso e pouca presença afetiva para com crianças e adolescentes, gera situações traumáticas de correção, como a do pai que citei neste artigo. E haverá situações que no lugar de corrigir, se destrói. Quem sabe pode ter sido a situação do ambiente familiar do caso Isabella, por isto que as famílias ficam assustadas diante de fatos desta proporção e por isto mesmo que vira notícia fantasmagórica de telejornais.

*Psicólogo – Psicoterapeuta – Diretor do Instituto Pensamento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

15/04/2008 - SONHOS E O INCONSCIENTE  Gerson Abarca

           

Com o desenvolvimento da Neurociência, tentou-se desqualificar o significado dos sonhos na vida humana. Todo mecanismo psíquico passa a ser visto como mero resultado de produções químicas cerebrais. Até o amor tentaram associa-lo a uma produção química que dura até quatro anos na vida adulta.

Passado às racionalidades da ciência tecnocrática, de laboratórios, volta-se à cena o pensar mais que humano. Os filósofos continuam pensando a existência humana, os Psicólogos continuam a interpretar o inconsciente. E os sonhos continuam a perturbar-nos com suas múltiplas simbologias.

Freud deu luz aos sonhos em “A interpretação dos sonhos”, 1900, texto que marca o início da Psicanálise como método de estudo do comportamento humano. Nele, Freud, um pensador para além de sua época, nos projeta para um olhar diferenciado das imagens oníricas. Confusas, pois se assim não fosse, não suportaríamos ver nosso inconsciente como ele é. De forma subjetiva, como uma produção artística, os sonhos remetem-nos ao debruçar cuidadosamente para encontrarmos significados. Nos sonhos, boa parte do desconhecido de cada um de nós é revelado.

Com o avanço dos estudos dos sonhos na dinâmica do funcionamento cerebral, hoje podemos constatar que chegamos a sonhar de quatro a cinco sonhos por noites dormidas, dentro de um período de 8 horas. Podemos entender que geralmente lembramos do primeiro e último sonho, sendo que geralmente aquele sonho que parece durar muito tempo, é o sonhado primeiro, e o que nos faz acordar é o último. Os sonhos podem ser restos das experiências vividas no dia ou  materiais do inconsciente. Alguns estudiosos trazem a figura dos sonhos   proféticos, geralmente  os que estudam fenômenos paranormais ou teologais. Mas todos temos em Freud o protagonista da elaboração do estudo dos sonhos.

No livro “Sementes da vitória”, Nuno Cobra nos lembra do motivo de termos que dormir por oito horas durante a noite, é para que as enzimas responsáveis pela limpeza de nosso organismo funcionem. Elas funcionam com o corpo descansando na horizontal. Com as contribuições de Freud, temos um maior valor para o sono noturno, que além de limpar nosso organismo, faz emergir sinais de nosso eu mais desconhecido, o inconsciente.

Uma das qualidades que melhor desenvolvi como Psicoterapeuta, nestes 18 anos de análise diária e ininterrupta, foi a articulação com os sonhos dos pacientes no processo analítico. Sempre incentivei muito as pessoas a falarem de seus sonhos, e quando a pessoa tem dificuldade para lembrar, oriento que anote o sonho logo que acorde. Anote da forma exata que lembra. Depois, em análise, vamos construir um processo interpretativo, associado com os conteúdos depositados ao longo da psicoterapia pelo paciente. Não me coloco na condição de ser o portador da verdade sobre  o sonho que a pessoa está  dizendo, pois não há um manual para isto, e se houver, é pura fantasia. Levo os pacientes a aprenderem a buscar sentido no sonho e entenderem qual conteúdo inconsciente manifesto fez emergir no sonho. Uma psicoterapia de caráter interpretativo, jamais deixará de dar luz aos sonhos. Por mais estranho que seja um sonho, ele é conteúdo interno de extrema importância na existência humana.

Quando as pessoas me falam que dormem assistindo T.V., como se estivessem diante de uma babá eletrônica, fico muito preocupado com elas, pois estão criando um limbo entre o inconsciente e o consciente, que impedirá de levar a pessoa ao conhecimento do seu eu mais profundo. Isto por que as imagens e conteúdos da T.V. passam a ser as imagens que permanecem durante a noite, impedindo que a mente se mostre, se transborde. Assim como o corpo necessita de ser purificado pelas enzimas, nossa mente precisa ser revisitada pelas cenas dos sonhos que fazem emergir durante o sono. Sono tocado a conteúdo de T.V. é semelhante a noite acordada, onde as enzimas ficaram impossibilitadas de atuar.

Desta forma, para se ter bons sonhos, é necessário se ter uma boa noite de sono. Assim, o quarto  de dormir, na hora de dormir, é melhor que não haja nenhuma interferência eletrônica. Do contrário, estresse, ansiedade, depressão e pensamentos difusos começam a inundar o existir humano, e conseqüentemente a insanidade mental.

Mas podemos pensar: “Para que vou ter que sonhar se não estou em análise com um especialista para ajudar-me a entender meus sonhos?”. Mesmo que os sonhos não são trabalhados, eles ficam durante o dia nos questionando,  nos faz sair de nossa comodidade existencial. Contamos nossos sonhos para as pessoas, rimos deles. Todo este movimento é inconsciente que sai, não fica criando crosta de repressão.

Por tudo isto, bom sono, e bons sonhos!

* É Psicólogo – Psicoterapeuta - Diretor do Instituto Pensamento

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

08/04/2008 - VOCAÇÃO PADRE  Gerson Abarca

           

Dentro da Psicologia temos a área de Orientação Vocacional voltada para ajudar jovens na escolha de uma profissão. Geralmente é muito utilizada por pré-vestibulandos que estão indefinidos sobre qual curso universitário vão escolher. A procura pela Orientação Vocacional começa a ser uma realidade também de profissionais que desejam mudar de área de trabalho ou aposentados que desejam desenvolver algum novo investimento profissional.

Mas como fica a Vocação de Padre? Passa pelos mesmos critérios de seleção de uma atividade profissional?

Os Psicólogos que tentarem igualar o processo de caminhada para a vocação Padre, como de outras profissões estarão errando o foco. Conheço Padres Engenheiros, Médicos, Economistas, Psicólogos, Músicos, etc. Alguns até exercem a profissão por um período e mesmo assim continuam sendo Padres. Por isto que os critérios para selecionar um candidato à Padre, não pode se utilizar  dos mesmos instrumentos da Orientação Vocacional Psicológica.

Ser Padre é uma Vocação de caráter religioso e está diretamente ligado com a Fé dos candidatos e a Graça - de ter sido escolhido por Deus -.

É aqui que nós Psicólogos não conseguimos entrar. Pois escolhas religiosas não se interpretam, mas acolhe-se. É notório casos de Vocacionados  a serem Padres que não são aceitos em uma comunidade religiosa, mas que insistem em buscar caminhos e acabam sendo aceitos por outras comunidades. Conheci vários casos de candidatos que foram rejeitados porque não tinham perfil para determinada Congregação ou Diocese e que conseguiram ser bem vindos em outras Congregações. Isto prova que a Graça dada, não são os homens que irão impedir seu curso.

Tive uma  boa experiência de acompanhamento de seminaristas de seminários menores ou de nível superior. Pelo menos uns seis anos de meu exercício profissional (19 anos) pude colaborar com o processo de formação. Das Comunidades formadoras que mais êxito tive no processo de acompanhamento dos candidatos, foi na Congregação dos Teatinos. Nela, o Reitor do seminário não estava preocupado em saber sobre perfis psicológicos ou querer descobrir quem era homossexual ou estavam fazendo fuga de algum problema pessoal. Este Reitor dizia que se a Graça foi oferecida, o tempo iria mostrar para todos do processo de formação. Ele também falava que não gostava de ficar controlando sobre as neuroses dos seminaristas, porque todos possuem suas neuroses, “se fossemos ficar apegados nisto, nunca teria sido ordenado Padre”, ressaltava este Reitor. Foi ótimo, pois suas idéias bateram com as minhas. Sempre pensei que o papel do psicólogo em um seminário, é de ser um elemento que contribua para que os candidatos possam fazer suas escolhas de forma transparente e sem conflitos internos, mas que as decisões de acolher a continuidade na formação era dos Padres formadores. Nunca aceitei opinar sobre os perfis psicológicos dos candidatos porque meu trabalho era de caráter sigiloso e tinha que assegurar aos seminaristas que estava sendo apenas um porta-voz dos processos inconscientes deles. Durei pouco neste processo de formação, pois fui deparando-me com outros grupos formadores que ficavam insistindo em que revelássemos intimidades dos seminaristas e também que desse parecer sobre as neuroses ou distorções emocionais. Infelizmente uma grande fatia de Psicólogos estão deixando de exercer de forma ética o exercício  profissional. Tenho certeza disto, por estar atuando como conselheiro do sistema Conselho de Psicologia há pelo menos sete anos contínuo. Conheço um belo trabalho desenvolvido pelo Psicólogo Ângelo Missura Neto, que assessora a Diocese de Guaxupé-MG, sempre pergunto para ele se os formadores ficam especulando sobre os seminaristas, e ele me responde que só se mantém neste trabalho porque os formadores da Diocese entenderam muito bem o papel do Psicólogo no processo.

Minha interrupção em colaborar na formação aconteceu exatamente quando conheci um Pregador formador que garantia que o ser humano não suporta a transparência nas relações, e utilizando-se inapropriadamente das teorias de Lacan, um Psicanalista Francês. Psicanalizava todo processo de formação, onde a Graça de Deus sobre uma Vocação de Padre era substituída pela lógica psicanalítica. Aí não daria mais para continuar, pois o resultado deste tipo de procedimento só causa traumas nos candidatos, clima persecutório nos seminários e afastamento até da religião naqueles que por ventura são cortados da caminhada. É muito comum vermos pessoas que foram seminaristas e que na vida adulta possuem um grande rancor pela Igreja Católica. Quando deparo-me com pessoas assim, logo imagino quanta tortura esta pessoa tenha passado na época de formação.

Entender que ser Padre não é semelhante a uma escolha profissional, torna-se difícil pela sociedade contemporânea, onde a Fé está cada vez mais sendo massacrada pelo mundo laico. Onde os pais acreditam que o sucesso dos filhos está no lucro que uma futura profissão dará. Lembro-me da história do Padre João Mohana, que primeiro terminou a faculdade de Medicina, pois este era o desejo de seus pais, e entregou a eles o diploma embrulhado em presente, para depois entrar no seminário e realizar seu chamado vocacional de ser Padre.

Entender este processo só com os olhos da ciência filosófica e do comportamento humano (psicológico), é não entender os sinais de Deus na humanidade. Esta é uma questão de Fé. E a Vocação Padre só será bem realizada mediante um profundo mergulho do candidato na pessoa de Deus, pela Oração e formação. É um caminho que se faz caminhando, e que diz respeito à instituição Igreja Católica, que possui seus Dogmas e Doutrinas, cujos candidatos deverão ter profundo conhecimento para saber o que estão escolhendo. Por isto que o processo de formação deve ser o mais transparente possível.

* É Psicólogo, diretor do Instituto Pensamento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

01/04/2008 - OS PAIS DIANTE DO ESPELHO  Fabiana Moulin

           

Aprendemos a pensar, gostar, ser, confiar, respirar, brincar, agir, etc. nas relações com o outro. Relações de afeto que se estabelecem inicialmente na gestação e se fortalecem após o nascimento.

Esses primeiros vínculos são fundamentais para a constituição do Eu e fazem parte do processo ensino-aprendizagem.

Ensinar não é falar o que é certo ou errado, repetir verbalmente costumes que se aprendeu ser a verdade.

O bebê aprende a lidar com as diferentes situações através do nosso agir, aprende a confiar e a nos respeitar a partir da reciprocidade; A criança adquire bons-hábitos não porque foi lhe dito que aquilo é bom. Ninguém aprende assim.

O aprendizado passa pelo corpo.

Eu aprendo no vivenciar.

Aprendo ao sentir a delícia que é admirar a natureza, passear pela praia com meus pais, praticar um esporte, ler um livro, ouvir estórias, assistir a um filme, viver em família.

Não basta dizer para a criança que família é importante ou que ela é preciosa para os seus pais, se nessas relações não se priorizam momentos juntos, de diálogo, produção, troca e do brincar. A família só se reúne para assistir TV? Quando vão à praia, o pai fica no quiosque bebendo cerveja? Qual é a programação do final de semana? O que fazem juntos?

Os filhos aprendem com os pais, com o jeito de falar e agir, a alegria de viver, os valores e prioridades, modos de se divertir e hábitos cotidianos, as relações com o outro e com a natureza, formas de lidar com os sentimentos e frustrações.

Esta é a referência que cada um carrega; referência de vida, de ser homem e mulher, de amor, e de Mundo.

Fazemos parte de um processo de construção do outro e de formação de Seres Humanos mais solidários e felizes, e de possibilidade de transformação social e invenção de vida mais potente.

Eis o poder e responsabilidade em ser pai e mãe.

Portanto, nos coloquemos diante do espelho! Nas relações humanas, o espelho funciona refletindo. Desta forma, o que estamos refletindo àqueles que estão ao nosso redor? Entre pessoas, o reflexo é daquilo que somos, por isto que no processo educacional dos filhos, o exemplo reflete com mais poder do que o conhecimento e as teorias.

* É Psicóloga e Psicopedagoga – Atua no Instituto Pensamento em atendimento clínico e nos programas de formação continuada em Gestão de Pessoas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

25/03/2008 - DÚVIDAS SOBRE ADOÇÃO  Gerson Abarca

           

Com a onda das psicoterapias fixadas nos traumas da vida intra-uterina, muitos pais estão deixando de adotar por imaginarem que a criança adotada carrega em si traumas que serão difíceis de serem superados.

Aquelas técnicas que insistem em dizer que da para uma pessoa ver cenas de quando ainda estava sendo gestada no útero da mãe, como se a constituição cerebral do feto tivesse capacidade de gravar imagem fotográfica.

A adoção é um problema para pais  que adotam por que esgotaram todas as possibilidades de fecundarem um filho biológico, adotam por frustração. Ou pais que adotam por pena de alguma situação de abandono, por piedade, e com o passar dos anos atribuem que tudo o que está se passando com a criança é por culpa da adoção.

Conheci um caso em que o casal adotara dois irmãos  , e depois de alguns anos o casamento foi interrompido, levando-nos a devolverem as crianças para uma instituição de passagem. Imagine a cabeça destas crianças, quantas perdas de vínculos. 

Para uma criança adotada, a grande pergunta que não faz calar é a interrogação sobre  qual ventre veio. Este dilema, com o tempo, é superado com a força do amor manifesto pelos pais adotantes.

Outra dúvida da criança adotada é se passará por nova separação, se será abandonada novamente, levando a desenvolver comportamento de instabilidade sobre os pais adotantes. Fica como que desconfiada do amor deles. Porém, esta dúvida é plenamente superada na medida em que os pais adotantes se entregam de corpo e alma à criança adotada, amando-a indistintamente.

Não quer calar também, as dúvidas dos pais que adotam quando a criança começa a dar problema na escola, ou na adolescência pelos comportamentos de rebeldia. Muitos pais adotantes esquecem que os mesmos problemas são vividos também por crianças e adolescentes que são educados pelos pais biológicos. Crises emocionais e problemas de aprendizagem é coisa de ser humano. O preconceito sobre uma criança adotada só ajuda a criar estereótipos sobre elas. Neste sentido, mais uma vez, será a capacidade de amar e assumir a paternidade e maternidade, que fará com que os problemas sejam superados.

Para os pais adotantes, a dúvida sobre o amor do filho adotado surge quando este atinge a maioridade e está prestes a sair de casa. A angústia do  filho desejar conhecer os pais biológicos. Mães adotantes com inseguranças pessoais no estabelecimento de vínculos, tendem a ficar paranóicas quando imaginam que o filho escolha a mãe biológica quando conhecê-la. Nenhum filho adotivo deixará pai e mãe por serem adotantes ou por que vieram a conhecer os pais biológicos, pois ser pai e ser mãe é escolha de amor. Um filho sabe  detectar muito bem os pais que fizeram esta escolha.

Cruel mesmo, é a dúvida de como colocar limites na educação do filho adotado. Lembro-me de um adolescente adotado, que estava em sofrimento porque seus pais não colocavam limites. Estes pais tinham medo de ao colocar limites o filho pudesse pensar que estavam sendo rigorosos por que ele era adotivo. Quando estes pais elaboraram esta dúvida e começaram a colocar limites bem claro, o filho passou a sentir-se valorizado pelos pais, pois confirmou que pelos limites seus pais o amavam.

Na condição de amar indistintamente, nenhuma dúvida deixará de ser elaborada.

Acima de tudo está o AMOR, por meio dele, tudo será superado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

18/03/2008 - CÉLULAS TRONCO, CIÊNCIA E  RELIGIÃO Gerson Abarca

           

Está no ar o dilema entre ciência e religião. O foco desta vez é a pesquisa sobre células tronco embrionária humana. Parece que o tema é destaque de audiência, pois todos os canais televisivos estão falando sobre e as emissoras comerciais insistem em trazer à tona o confronto entre ciência e religião.

No debate de um dos canais, no último domingo dia 9 de março, colocaram na “berlinda” uma pesquisadora da USP  versus  um bispo da Igreja Católica. Os jornalistas, nada imparciais, numa postura de não debatedores, mas sim de julgadores da posição da Igreja Católica, criavam perguntas maliciosas ao bispo e para a pesquisadora, levantavam questões de pesquisa com um caráter mais idôneo. Os debates que já pude observar nas emissoras comerciais, todos tendem a condenar a Igreja e exaltar a ciência.

Em relação à Igreja, ficam remoendo passado e história, vendem a idéia que a Igreja é arcaica e remontam a época da inquisição. Colocações do tipo: “Os senhores colocarão os cientistas no tribunal inquisitório, condenando-os ao inferno se estiverem pesquisando em embriões?” Já para os cientistas, exaltam-nos como se tudo que pesquisam trás benefícios à humanidade e surgem as colocações: “Como vocês suportam esta condenação religiosa diante de pesquisas que podem salvar vidas?”.

Segundo os telejornais, aproximadamente 95% da população brasileira é a favor das pesquisas com embriões humanos, daí a malícia: “Como a Igreja está contra seu rebanho?”. Mas esta amostragem é tendenciosa e manipulada para se fazer opinião pública, pois sabemos que nem 10% da população sabem ao certo  o que é célula tronco. Eu não me arriscaria orientá-los neste artigo. Imaginem, perguntei para três profissionais de saúde, e cada um falou uma coisa, e todos se “embananaram”. Que pesquisas são estas se 30% da população é analfabeta, e 40% é semi-analfabeta?

O jornalismo sem ética e moral, aproveita-se das angústias alheias para fomentar neuroses e provocar o consumismo. O ciclo da comercialização passa pela publicidade. Esta precisa fazer cabeças consumistas, criar neuroses ajuda, pois o neurótico consome mais. Uma das formas de se produzir a neurose para o consumismo, é destituir os cidadãos de valores e princípios morais e éticos, e a Igreja Católica é uma das poucas instituições no Brasil que está com imagem positiva de idoneidade, por isto  a insistência por desqualificar as posições da Igreja. Tanto, que os representantes da Igreja nos debates precisam ser muito bem informados e terem convicções da escolha religiosa, pois diante de qualquer vacilo, é uma “metralhadora”  de ataques.

Em terra de cego, quem têm um olho é rei. Em um país onde quase 70%  da população possui índice muito baixo de conhecimento acadêmico, as universidades que possuem estruturas de pesquisa, criam poderes quase que divinos. O sistema político brasileiro não possui mecanismos para monitorar e controlar as pesquisas, principalmente aquelas que se esbarram em direitos constitucionais. O direito à vida é constitucional, e cientificamente está provado que um embrião é um ser vivo (indivíduo). Em um dos debates, o jornalista em desespero de causa apelou legal: “Quer dizer que a ejaculação pela masturbação é um crime, porque está se matando uma vida?”. Ainda bem que o representante da Igreja, um sábio senhor, e além de tudo cientista também, responde com tranqüilidade que os espermatozóides são células vivas que possuem seu valor dentro de um organismo. “Um embrião é o encontro de duas células, espermatozóide e óvulo, resultando em um novo ser que se desenvolverá como um organismo, carregando em si um código genético, uma herança genética”.

Intervir sobre embriões humanos parece não sensibilizar tanto, mas zelar por embriões de tartarugas marinhas é uma questão de honra. Ainda bem que as tartarugas estão ganhando seus adeptos, graças ao projeto Tamar as tartarugas estão sobrevivendo. Mas os milhares de embriões humanos que estão congelados pelos processos de fertilização humana, estão a espera de que? Eliminá-los é crime. Não é por acaso que este tema tem mobilizado tanto a mídia comercial. Liberando as pesquisas com embriões humanos, abre-se o caminho para a legalização do aborto.

Poxa! Mas uma mulher tem o direito de decidir sobre seu corpo e vida. Realmente, mas quando ela pratica o aborto, está decidindo por um ser que não pode se defender, o feto. Ela decide sobre o corpo do outro, e não o dela.

A ciência erra muito, lembram da bomba atômica? Erra mais ainda quando quer transformar vidas humanas em cobaias de laboratórios. O ser humano não é rato.

No fervor do debate, o argumento mais apelativo é que a Igreja está impedindo o avanço de curas para doenças da humanidade. A população, movida pela emoção, apóia e vai aos poucos  autorizando a eliminação de seres humanos. A ciência está buscando caminhos especulativos sobre algo que não se têm garantias de resultados. A mídia está omitindo da população, que pesquisas com células tronco podem ser desenvolvidas em células adultas. Por que insistir nos embriões humanos?

É sempre bom lembrar, que a Igreja Católica é profética (anuncia e denuncia). Neste tema, é hora de denunciar, e faz com respaldo de cientistas. Não está falando “ao leo”,  a diferença é que têm se respaldado em opiniões de cientistas com postura ética e moral clara. Há ciências e cientistas. Alguns já foram aliciados pelo poder econômico dos laboratórios. Outros preferiram a aridez do isolamento financeiro e até de projeção acadêmica, por defenderem a vida acima das especulações. Sendo assim, “Escolhe, pois, a VIDA!”.

* É Psicólogo, Diretor do Instituto Pensamento; autor do livro “Sexualidade na contramão”- Ed. Paulus; Assessora a TV Canção Nova em debates sobre Planejamento Familiar; participou do grupo de estudos sobre sexualidade humana da CNBB.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

11/03/2008 - TRAÇOS FEMININOS NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER Maria Celina Toledo Martins

           

Dia 8 de março último, celebramos o "Dia Internacional da Mulher”.

No nosso município e Guriri, como também de Linhares, Pinheiros, Montanha uma Semana de reflexão, debate e confraternização. Um grupo de empresas se reuniram para fazer acontecer este momento que consideramos especial e salutar às mulheres.

Sabemos que neste dia 08 de março (1857) é lembrado a luta de um grupo de mulheres operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque.

 Elas organizaram uma grande greve, ocupando a fábrica para reivindicar melhores condições de trabalho, como a redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho, pois trabalhavam em condições subumanas.

            A manifestação foi reprimida com violência e as mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada (e muitas delas carregavam os seus filhos). Cerca de 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato de total desumanidade.

Fico tentando imaginar o desespero das mulheres, em especial das que carregavam os seus filhos... desejaram uma vida mais digna e deram a sua própria vida..... e a  partir deste lamentável fato,  deu-se início a uma série de iniciativas, manifestações e lutas pelos direitos da mulher em todo o mundo, culminando então este Dia 08 de março, como um "marco"  no ano de 1910 durante uma Conferência  na Dinamarca e  em homenagem as mulheres que morreram na fábrica. Mas somente no ano de 1975, através de decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

A intenção da data, não é apenas comemorar, mas realizar em diversos países conferências, debates e reuniões com o objetivo de continuar discutindo o papel da mulher na sociedade atual e relembrar as suas conquistas históricas.

            Todo este esforço é justificado para tentar diminuir o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todas as conquistas, muitas mulheres ainda sofrem, em muitos locais e países  como a descriminação dos salários em determinados ambientes do trabalho, a  violência  e a repressão masculina,  o excesso da jornada  de trabalho e a não equidade  na carreira profissional.

Não tenho dúvidas de que muitas vitórias foram conquistadas, mas ainda há muito que fazer e muitas mulheres clamam pela nossa solidariedade, pois estão sofrendo com as seqüelas de uma sociedade desigual.

Ao fazer a memória de toda esta história, fico refletindo e buscando os traços femininos delineados nesta rede de conquistas e quero dividir com vocês alguns que para mim são fundamentais para a construção de uma sociedade conforme o desejo de Deus: justa, fraterna e em abundância para cada homem e mulher, criatura de Deus.

Os traços que identifico: o acolhimento, o serviço, a resistência, a sensibilidade, a versatilidade, o suportar a dor, a fé e o mais sublime de todos: o amor pela vida!

A Semana da Mulher foi sem dúvidas um sucesso e para quem esteve lá com certeza pôde refletir e sair com uma motivação para que todas nós mulheres continuemos a luta iniciada pelas operárias da fábrica e em memória delas nos tornaremos grandes operárias da vida!

* Enfermeira – Coordenadora do Programa Qualidade de Vida – Instituto Pensamento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

04/03/2008 - ASCENSÃO DA MULHER Gerson Abarca

           

Nesta semana o Instituto Pensamento organizou eventos em comemoração ao Dia internacional da mulher (8 de março), na forma de debate em mesa redonda, com o tema: “Mulher – As Múltiplas Competências e a Qualidade de Vida”, que acontecerá nos Municípios de Linhares (04/03 – Escola Projetar); São Mateus (05/03 – Hotel Norte Palace) e Empresa Emflora (Café com convivência); Pinheiros (06/03 – Loja Maçônica); Montanha (07/03 – Teatro Municipal); Guriri (08/03 – Pousada Lorenise).

Este tema proposto, nasce da percepção que fazemos das mulheres no cotidiano, pois são das mulheres o legado de conseguirem lidar com diferentes realidades ao mesmo tempo e no mesmo dia.

A mulher que trabalha, e a cada dia conquistas novas profissões e espaço no mercado de trabalho, sendo cada vez mais solicitada para atividades que há pouco tempo eram só de homens. Que está antenada com os filhos, muitas com os sobrinhos e netos, sempre haverá uma criança com quem se preocupar. Que ocupa uma parte de seu tempo para se cuidar, mantendo sua estética e feminilidade. Estudiosas, capazes de estarem à frente nos melhores concursos e vestibulares. Que se concentram proporcionalmente aos homens em uma relação de quatro para um, isto é, tendem a quase não desenvolverem problemas de déficit de atenção.

Todas estas versatilidades que cresce a cada ano, ainda necessitam driblar o machismo histórico dos homens, que ainda insistem em denegrir a imagem da mulher. Recentemente um Juiz não respeitou a Lei Maria da Penha, que trata sobre a proteção das Mulheres vítimas da violência masculina. Ainda a publicidade, que está nas mãos de gurus homens, tende a denegrir e reduzir a imagem da mulher como objeto de cama, mesa e banho. Muitas religiões ainda mantém suas principais lideranças sob o auspício dos homens, cabendo às mulheres os serviços. Quando a religião é de base Cristã, e continuam dando toda autoridade aos homens, é por mero equivoco interpretativo da história Bíblica, pois nela, o caminho do povo de Deus se dá pela força das mulheres. Em Inácio Larrañaga, a pessoa de Maria, após a morte de Cristo, é protagonista para a reorganização dos primeiros Cristãos. A casa de Maria, como é assim nominada até hoje em Jerusalém, e recebe muitos peregrinos do mundo todo, foi o primeiro ponto de encontro dos Cristãos, que viviam na clandestinidade.

Atendo há 18 anos em psicoterapia, e hoje estou elaborando um método pessoal de trabalho analítico que denomino Psicanálise Contextualizada. As mulheres representam a maior parte da guinada que estou dando neste método analítico, pois nestes anos, 90% de pessoas que se analisaram por mim, são mulheres. Não porque elas possuem mais problemas, mas por que elas estão mais atentas às transformações dos tempos.

A mulher de hoje quer conquistar espaços sem copiar os erros dos homens, que ascenderam pelo poder. Quando uma mulher ascende pelo mesmo instrumento de poder que os homens ascenderam, ela tende a se masculinizar, negando sua fisiologia, seu dom de maternidade e até tiranizando. Vejo que este perfil por cópia é realizado por um grupo pequeno de mulheres.

O Dia internacional da Mulher é marcado por um episódio ocorrido entre mulheres que reivindicavam melhores condições de trabalho em uma fábrica têxtil nos Estados Unidos, e que foram queimadas às portas fechadas por terem se manifestado. Por isto que nós do Instituto Pensamento pensamos em marcar esta data com debate, para que as mulheres continuem pensando, agindo e se colocando como protagonistas de mudanças na sociedade. Para isto, as mulheres de nossa equipe de trabalho vão expor temas reflexivos e do despertar empreendedora, para fomentar cada vez mais o espírito de coragem e vitalidade das mulheres contemporâneas. Maria Celina Toledo Martins, Enfermeira de Saúde Pública, abordará o tema qualidade de vida; Aline Zamoiralli, Psicóloga, fará reflexão sobre a auto estima da mulher e Fabiana Moulim, Psicóloga, trará a abordagem das múltiplas competências. Em todas as cidades o tema e expositoras estarão presentes.

Para esta empreitada, realizamos parcerias com a Secretaria de Saúde de Montanha, Escola Projetar de Linhares, CDL de Pinheiros e Drogaria Guriri-Cascata de Guriri. Também contamos com o apoio das empresas de São Mateus: Norte Palace Hotel, Óticas Vison, Hering, Farmácia Gaia, Acústica, Tribuna do Cricaré, Norbel Cosméticos, Challenge, Íntima Lingerie, Pão Bello, Rede Sim Sat, Central de Compras Santo Antônio e K’ Pricho Centro de Beleza. Em Pinheiros: APAE, Escola Nossa Senhora de Lourdes, Loja Maçônica, Rádio SIM102, COOPEPI, COPBEM e Secretaria de Ação Social.

Nossas expectativas são das melhores e esperamos um público entre todos os dias de aproximadamente mil mulheres. Sabemos que até poderá ser superado por que as mulheres são extremamente fiéis a eventos que diz respeito ao fortalecimento pessoal e de confraternização. É sempre bom lembrar a historiadora Rose Maria Muraro “... as mulheres fazem redes (...) e as redes são solidárias”.

  Feliz semana da mulher.

* Psicólogo -Psicoterapeuta, Diretor do Instituto Pensamento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

26/02/2008 - AS MÚLTIPLAS COMPETÊNCIAS DA MULHER E QUALIDADE DE VIDA

Maria Celina Toledo Martins

           

Este é o tema proposto pelo Instituto Pensamento para a mesa de debate em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Aliás, teremos em torno deste tema, cinco mesas de debate, pois além de São Mateus, tivemos a adesão em Guriri, Pinheiros, Montanha e Linhares.

  O intuito é motivar as trocas de idéias, discussão, informação e a confraternização entre as mulheres e homens desejosos de participarem do Evento.

O Instituto Pensamento não estará sozinho realizando estas mesas redondas. Temos um grupo de empresas contribuindo na realização delas e é claro a Tribuna do Cricaré – TC não ficou de fora, pois é uma grande parceira do Instituto. Inclusive, uma de suas jornalistas é que estará fazendo o papel de coordenação da mesa redonda de São Mateus.

 Muito se tem debatido sobre estes temas em foco e daremos destaque em algumas questões sobre os mesmos: como muito bem descreve a Antropóloga Claudia Fonseca: “Não serão pequenos os desafios!. Somos seres humanos, imperfeitos(as), com contradições, buscando a felicidade, coragem, determinação, simplicidade e competência técnica-ética-política-teórica e metodológica e compromisso com a construção de uma sociedade de mulheres e homens livres”

Sabemos que as particularidades de origem étnica, de classe, de família e de região criam divergências importantes entre os homens e as mulheres e que qualquer ação que quisermos construir deve partir do fato desta heterogeneidade para que esta condição possa produzir as integrações fundamentais para a busca do entendimento. Não podemos deixar de reconhecer que a histórica patriarcal ainda reflete na dominação masculina, que é um fato real na vida de boa parte das mulheres hoje. É imprescindível a ação coletiva voltada para a promoção dos direitos da mulher e para a transformação e mudança deste quadro.

Mas a intenção da mesa redonda não é fazer a denúncia da discriminação de gênero e também de raça, mas olhar as competências femininas e como elas são importantes no mundo de hoje. Estudos feitos em diversos Países apontam que as mulheres são mais capazes de realizar multitarefas, são mais flexíveis, aceitam mais a diversidade, a ambigüidade, tem mais habilidades de comunicação.

  Estas habilidades podem se tornar competências importantes para as organizações, inseridas num mundo cada vez mais complexo. Por exemplo, a capacidade de se relacionar, de se comunicar em rede e de mobilização pode ser competência muito importante neste cenário. A mesa de debate pretende trazer esta reflexão à tona e oferecer às mulheres presentes o prazer de partilhar destas questões.

Quanto ao Tema Qualidade de Vida, queremos motivar as mulheres a valorizar e assumir o seu papel como “gerenciadora” de sua agenda de compromisso consigo mesma para a conquista da qualidade de vida que implica em duas questões relevantes: Estar bem – que está relacionado no campo da saúde física, mental, emocional e social e Bem estar - que está relacionado no campo das realizações. Ambas representam “as duas faces da moeda da vida”, ou seja, uma não existe sem a outra. Não podemos deixar de considerar que boa parte da busca da qualidade de vida está ligada à conscientização e esta palavrinha chave que será muito bem trabalhada na mesa redonda e como também serão oferecidas dicas e informações voltada para a qualidade de vida. A vida é estressante, e, na maneira como cada um lida com a sua, está definido o caminho da qualidade. E Qualidade de Vida não se compra, se constrói na auto responsabilidade de cada um de nós sobre sua própria vida! Esta semana de comemoração sem dúvidas promete boas discussões e trocas, por isso convidamos você amigo (a) leitor(a) a se informar melhor das mesas de debate e organizar a SUA AGENDA para estar conosco.

* Enfermeira – Coordenadora do Programa Qualidade de Vida – Instituto Pensamento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

19/02/2008 - CUMPLICIDADE DE MULHER Aline Zampirolli

           

Somos frutos de uma sociedade onde o modelo patriarcal é que rege as estruturas familiares. No entanto, pouco a pouco a mulher foi conquistando seu espaço e hoje assume muitas funções que até pouco tempo eram exclusivamente masculinas. Somos motoristas, médicas, gerenciamos empresas. Mulheres ousadas como Francyne Scovino que é técnica em eletrotécnica da Ampla, concessionária de energia elétrica do Rio de Janeiro, única mulher no meio de 60 homens. Segundo ela estar num ambiente de trabalho masculino ressalta ainda mais sua feminilidade e, apesar disso nunca sofreu assédio de seus colegas; Carolina Silveira, que é operadora de facilidades elétricas da plataforma P- 47 da Petrobrás. Outro exemplo são as mulheres de Israel que são até convocadas para servirem o exército do país.

Não obstante, muitas destas mulheres assumem dupla jornada, uma vez que são mães e ainda cuidam de seus lares. Recentemente li um artigo de Possatti e Dias da Universidade Federal da Paraíba cujo tema era “Multiplicidade de papéis da mulher e seus efeitos para o bem estar psicológico”. Este estudo teve como público alvo 132 mulheres que desempenham trabalho pago e papel de mãe. As mulheres destacaram como aspectos recompensadores: autonomia, estimulação, desafio, poder, ajudar os outros, poder decisão, enfim todos esses elementos contribuem para o bem estar psicológico. Tal estudo vem afirmar a importância do trabalho na autonomia feminina.

Certa vez ouvi uma fala de uma empregada doméstica “mas gente, se eu ficar em casa vou ter que fazer tudo sozinha e não vou ganhar nada. É ruim heim! Pois eu arrumei alguém pra trabalhar lá em casa e aí todo mundo ajuda a pagar. Não é melhor?”. Achei incrível, isso mostra que sua auto estima está bem resolvida e esta é sua maneira de se impor perante seus filhos e companheiro, é assim que se sente bem, podendo pagar as viagens que faz junto a sua igreja, comprar um presente para seus netos. Isso é ser mulher.

Muitas vezes esse ser mulher mais difícil, quando nos comparamos com o poder masculino, nos esquecendo do poder que temos, afinal nascemos com o dom de gerar uma vida em nosso ventre, somos capazes de cuidar de nossos filhos e ainda assim ser boas profissionais quando queremos. Claro que dar conta de tudo isso requer energia e por vezes nos acomodamos. E aí nos deparamos com atitudes machistas dos homens e ao mesmo tempo cobrando que sejam gentis, que homem tem mais é que trocar o pneu do carro, trocar lâmpada, etc.

Talvez seja o momento de pensarmos mais além, ou não tão além assim, questionando se não estamos sentadas esperando a banda passar. O que queremos, do que gostamos, o que nos causa prazer; será que nos conhecemos? Como queremos que nossos companheiros nos compreendam, se não nos colocamos, se mal nos olhamos no dia a dia, se não conhecemos o próprio corpo.

Outro dia me peguei numa situação engraçada diante de questionamentos do tipo, os homens se reúnem para pescar, assistir ou jogar futebol, bater papo num bar. E nós o que fazemos? Reunimos-nos também, ou ficamos em casa queixando porque saíram, porque não queremos acompanhá-los? Curioso porque pensei que tipos de programas podemos fazer entre mulheres e me dei conta que não estamos acostumadas a pensar sobre isso e, confesso, não foi tão fácil responder. E vocês o que costumam fazer?

Este tipo de questionamento nos coloca para pensar e todo dia  é momento para discutimos sobre nossas posturas e, principalmente que tipo de mulher desejamos SER. Como diz Freud, “o pensamento é o ensaio para a ação”.  

* É Psicóloga – Psicoterapeuta é membro da Equipe de Psicólogos do Instituto Pensamento, onde atua em Psicologia Clínica nos municípios de São Mateus e Linhares.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

05/02/2008 - FESTA DE VERÃO  Fabiana Moulin

           

Os produtores de festa parecem não ter o real entendimento da importância de seu papel.

Há os de muito mal-gosto e há aqueles cujo objetivo único e exclusivo é simplesmente ganhar dinheiro. Não compreendem a questão ética que perpassa o seu trabalho e profissão.

No caso de uma festa com fins lucrativos, pode-se até alegar que paga quem quiser, a partir de um discurso de liberdade ao mercado. Mas festa pública precisa ser encarada com muito mais seriedade.

Primeiro porque a verba vem dos cofres públicos, e também, e prioritariamente, porque a estética, a música e os seus movimentos fomentam sentimentos e desejos que podem culminar ou na potencialização da vida, ou na destruição da nossa capacidade de criar e dos bons encontros.

Há perguntas a serem feitas quando se planeja eventos populares: o que eu quero produzir, qual turista eu quero atrair e o que quero potencializar no meu público morador dessa Cidade?

Eu quero potencializar bons papos? bons encontros entre os jovens? importantes valores? sintonia com a natureza? alegria? relação saudável com o corpo? Valorizar a cultura local? fomentar arte e pensamento?

Muitas vezes o discurso é moralista, proíbe-se o trio-elétrico, diz que os jovens hoje em dia estão perdidos, e aumenta-se o policiamento; mas na prática promove-se uma programação que acaba por privilegiar como atração principal o consumo de álcool e drogas. São vários jovens aglomerados no meio da rua, com suas bebidas nas mãos, ociosos e sedentos por diversão, e um palco com um som sem qualidade que emite barulhos e letras vulgares, apontando para o sexo e a genitalidade como uma estratégia privilegiada de obtenção de prazer.

A lua pode estar no céu, o mar logo ali emitindo sonoridade e paz, muitos poemas dentro de nós encravados sem passagem e expressão, e a música não fala de lua, de arte, de amor, de amizade. Só fala kreu, de piriguete e cachaça.

Isso é um desrespeito ao nosso bolso, ao nosso turista e à nossa juventude.

Os produtores de festas públicas precisam compreender que dependendo do som que se oferece às multidões, da dança que essa música desperta em nossa alma, e da estética do ambiente, pode-se promover violência, promiscuidade, preconceito, segregação e aumento do consumo de álcool e drogas.

As Instâncias públicas e produtores de eventos precisam definitivamente compreender que promover festa não é simplesmente contratar uma banda e MCs, mas é se responsabilizar pelo o que aquele evento vai despertar, vai produzir e potencializar.

É uma questão de ética.

* É Psicóloga e Psicopedagoga – Atua no Instituto Pensamento em atendimento clínico e nos programas de formação continuada em Gestão de Pessoas.

 

 


 

29/01/2008 - SEU FILHO NÃO GOSTA DE LER? Gerson Abarca

           

Existe uma grande fantasia na cabeça de muitos pais em torno da necessidade dos filhos lerem livros.

Com o processo educacional através da escola, criou-se a demanda de que ler um bom livro é fundamental.

Mas na verdade o que vemos na prática é uma baixa procura por livros e poucos momentos em que os jovens estão retirando do seu cotidiano para ler um livro.

Dizem que se está vendendo mais livros no Brasil, então consequentemente poderíamos imaginar que o brasileiro está lendo mais. Observo que os livros estão sendo comprados pelo Governo para distribuição em escolas, e feliz das editoras que conseguem cair na graça do Governo para processos licitatórios. Mas os livros adquiridos estão empilhados nas bibliotecas, muitos sem sequer terem saído das caixas.

Nas escolas, geralmente o estímulo para leitura surge das disciplinas de Português, Redação, Comunicação, etc. Os alunos são orientados à leitura para posterior prova de conhecimento do livro. A esperteza dos alunos está em ler rascunhos, muitos retirados da internet. Alguns alunos conversam com um ou outro que leu o livro indicado para a prova,  e na hora inventam algumas idéias, e por incrível que pareça, tiram nota.

Tempos atrás, um garoto disse-me que tinha certeza que o professor não sabia nada do livro que caia na prova de livros, pois inventou um punhado de baboseiras na prova e tirou 10. Outro aluno disse-me que tinha certeza que a professora não lia nada mesmo, porque cada aluno tinha que escolher um livro, “já pensou, ela ter  lido todos?”, conclui o aluno.

Ler livro é sem dúvida uma das melhores maneiras de se forjar um excelente aluno. Há alguns anos um estudante pré-vestibulando, proveniente de uma pequena escola de Goiás, passou nas três principais escolas de engenharia do Brasil, lembro-me de duas - Unicamp e  Ita - . Ao ser entrevistado em um programa televisivo, para falar de sua proeza, o rapaz disse que o segredo do seu sucesso educacional estava no hábito de ler livros com freqüência. Relatou que chegava a ler de 5 a 6 livros por mês. Este hábito, adquiriu por ver seus pais lerem muito também, desde pequeno.

Olha aí, enquanto os pais estão preocupados em fazer os filhos lerem, nesta experiência citada, os pais já eram leitores. Desta forma, a melhor forma de se fazer um filho ter o hábito de ler, é serem leitores, independentemente se o filho está sendo. Ambiente de pais leitores, nascem filhos leitores.

Da mesa forma, com os professores. Acredito que são poucos os professores que lêem como hábito pessoal - como se estivesse escovando os dentes -. Não convence ninguém a uma prática, se não  possue a prática. Muitos professores vão dizer, “não tenho tempo, dou muita aula…”, os que têm o hábito de leitura, lêem de qualquer forma, em qualquer lugar.

Minha irmã Janete, tinha as manias educacionais dela, nas férias escolares, separava livros para cada filho ler e fazer um rascunho para ela. Lembro-me que alguns familiares e até professores vinham com o discurso para ela de que a leitura tinha que ser introduzida de forma construtiva e prazerosa. Ela retrucava dizendo que ai! se eles não lessem. Hoje, todos os filhos dela estão ou passaram por Universidade Pública, a minha sobrinha Ana Alice está cursando Psicologia em Londrina, e ao conversar com ela observo que é uma excelente estudante, está lendo muito mais do que o próprio curso propõe.

Tenho insistido com as escolas para deixarem de lado as múltiplas tarefas e trabalhos educacionais para a casa. Se no lugar colocassem muitos livros para os alunos lerem, com mecanismos inteligentes de se medir o nível de leitura desenvolvida pelos alunos, com certeza o resultado educacional dos alunos seria bem melhor. Vemos a prova do ENEM, nela o aluno precisa interpretar as questões, e muitas respostas estão na própria questão. Os vestibulares inteligentes estão exigindo muita interpretação dos candidatos, mais do que conhecimento e decoreba. Só alunos com muita leitura de livros conseguirão ter proeza nos resultados de grandes vestibulares.

O Brasil é sem dúvida subdesenvolvido no item livros. E subdesenvolvido está no incentivo à leitura. Nas casas dos brasileiros de classe alta, pouco se vê espaço para biblioteca, mas vemos muitos banheiros e cozinhas grandes; imaginem como é nas casas das camadas populares, onde nem espaço para dormir se tem.

Ver pais leitores em uma população de aproximadamente 70% de leitores funcionais, que só entendem a leitura básica, é um caminho longe de se ver resultados. Conseqüentemente, a cultura de cidadãos leitores é um processo para outros 500 anos.

Mesmo assim é possível fazermos desabrochar leitores em condições desfavoráveis para isto. É o caso de Dona Rosinha, mãe analfabeta, que pedia para os filhos lerem livros de história para ela, também romances e enciclopédias. Os seus quatro filhos são doutores formados em Universidades públicas, e com certeza ela é uma analfabeta só de conceito.

* É Psicólogo. Diretor do Instituto Pensamento.

 

 

 

 

 

 


 

22/01/2008 - A DEMOCRACIA É PRAIANA Gerson Abarca

           

No verão, muitas famílias brasileiras se deslocam para o litoral. Este País continente e litorâneo. Eu tenho a graça de residir em São Mateus-ES, onde quase todos os finais de semana caminho na praia de Guriri, balneário local. E como têm gente. Numa extensão de aproximadamente  3 km nos finais de semana, não se vê espaço vazio, esta praia possui 52km linear. Neste ambiente, em pleno janeiro, inspiro-me a pensar a praia como um espaço democrático dos mais significativos que conheço.

Na praia os enriquecidos e empobrecidos convivem sem que percebamos quem é quem. Os negros e brancos banham nas mesmas ondas.  Patrões e empregados partilham da mesma alegria - a liberdade -. Liberdade no vestir, semi-nus; liberdade no brincar, bola, frescobol, pranchas, petecas, etc.

Se cruzo com um Deputado, só identifico se o conheço. Neste final de semana encontrei um Pastor com a família, eles estavam à sombra de uma árvore assando um delicioso churrasquinho, sabia de seu título por que o conhecia. Às vezes vejo Padres caminhando bem pela manhã, que só identifico por conhecê-los. Também o Prefeito da cidade, alguns vereadores e até professores. Mas todos semi-nus ou roupas bem leves, as mais simples possíveis. Pega mal ver um cidadão de terno ou uma madame de vestido longo.

Na praia, precisamos muito dos vendedores ambulantes, é um picolé aqui, um milho verde acolá. Pena que fora deste espaço democrático, nossos governantes ainda não perceberam o potencial turístico de nosso litoral. A férias de verão é ridiculamente pequena, os vendedores ambulantes só podem ampliar suas rendas por apenas um mês. Hotéis e pousadas passam quase 11 meses sem hóspedes. Mas se o período de férias fosse maior, o que seria das crianças? Ou melhor dos pais!

Os Salva Vidas, que precisamos estar perto deles o tempo todo, passam a ter status de protetores, muitos deles só se empregam no verão, e no dia a dia da cidade são quase anônimos . Que democracia boa, gente ganhando dinheiro, gente descansando, gente se encontrando , gente sorrindo e se confraternizando, gente sem significado no dia a dia que passam a ser referências de necessidades básicas aos turistas. Até a gente fica chique, vira turista.

A modelo famosa, na praia, se exposta fica toda apimentada, cheia de sardas, geralmente são clarinhas, por isto ficam escondidas nos guardas sol, quem sabe desejando curtir a liberdade das morenas e negras, que livres do desgaste com a pele vão pra lá e pra cá. Que diferente, na praia o fator desejante é ser morena. Estar com aquela cor de verão. Na praia, as mulheres também tornam-se mais semelhantes, pois os fetiches dos colares e da diferenciação de qualidade de roupas, dá espaço para o corpo. O corpo bem adaptado ao contexto praiano não é o mais bem esculpido, mas aquele que se coloca com mais versatilidade para banhar nas ondas, rolar na areia. Fica ridículo aquelas que tentam esconder partes do corpo que julgam estar deformado.

Tenho observado que os “sujis-mundo”, aqueles que gostam de jogar lixo humano pela areia, já começam a ser criticados principalmente pelas criancinhas, parece que alguma consciência ecológica começa a aparecer.

Legal mesmo é a prática esportiva. Dificilmente vemos pessoas praticando esporte individualmente. Caminhadas, frescobol, vôlei. Até o surf que aparentemente é individual, sempre têm dois ou mais surfando juntos.

Em se falando de surfar, descobri recentemente, quando meu filho Samuel Iauany de 15 anos começou a surfar, que este esporte é praticado na maioria por jovens de classe social baixa. Eles compram pranchas usadas, pegam o “buzu” bem de manhã e vão para a praia. Nesta galera do surf há muita solidariedade, um deixa a prancha na casa do outro, dividem almoço, gostam de dormir na casa de um e de outro, enfim, é uma democracia muito real.

Olha gente, estou falando do espaço da praia, porque fora dela, o papo é outro, pois as diferenças logo começam a aparecer: na fila do ônibus ou no estacionamento de carros para voltar para casa; nas noitadas onde os territórios são melimetradamente ocupados pelos traficantes.

Mas a democracia é praiana quando estamos degustando o espectro da areia, “o mar passa saborosamente a língua na praia”, praia que nos convida à felicidade e ao sonho de todos sermos um.

Na praia de Guriri, mesmo alguns querendo dizer e influenciar a opinião pública de que o verão trás mais turistas se houver trio elétrico, os fatos desmentem esta tentativa de influência parcial. Neste verão, o órgão público local não financiou os trios, e no entanto observa-se aumento do número de turistas. Com o diferencial também na qualidade: o turista praiano vem com a família, mais dinheiro e quer tranqüilidade; o turista dos trios vem sozinho, sem dinheiro e muito agito.

Na Democracia praiana, têm espaço para todos, a diferença é que os trios podem ser patrocinados e até servem de referencial lucrativo para empresas promotoras de eventos. Quem paga a conta é quem busca este lazer específico, em local para gente que suporta som alucinante ou de baixa qualidade musical. O bom, é que um município isoladamente não precisa ficar financiando o lazer de municípios da região. As despesas que seriam gastas com trios elétricos e bandas passam a ser direcionadas pelo órgão público para investimentos em segurança, higiene e infra-estrutura. Melhor ainda, evita-se a possibilidade de corrupção, pois contratações de bandas não requer processo licitatório ou mecanismos de consulta de preços, tornando-se um canal aberto para o desvio de verbas públicas.

* É Psicólogo, Diretor do Instituto Pensamento.

 

 

 


 

15/01/2008 - SENTIMENTO DE CULPA E A DEPRESSÃO Gerson Abarca

           

A culpa é um dos sentimentos mais destrutivos para a mente humana. Por ela abrimos um grande caminho para a depressão.

Quando uma mãe culpa-se pelo problema do filho, tanto físico como emocional, acreditando que as dificuldades do filho é responsabilidade de algo que ela como mãe não deu conta, trás a tristeza ao olhar para o filho, pois o fracasso dele é o dela. Isto só pode dar depressão.

Se o namorado procura por outra menina, traindo a fidelidade para com sua namorada, esta poderá imaginar em que está errando, e tentará buscar caminhos para recuperar o prestígio do namorado para com ela. Por sentimento de culpa, esta namorada se posicionará diante da infidelidade de seu parceiro com a mesma postura antiquada das meninas de antigamente que diziam que homem é assim mesmo. Pior ainda é quando o namorado se